o caminho para a felicidade

Este blog é nada mais que o relato da minha luta contra a compulsão alimentar. O caminho a percorrer pode ser longo e difícil, mas eu vou conquistar a minha felicidade! Eu sou capaz.

02 janeiro 2006

Auto-estima

Escrevi um Comment enooooooooooooorme no blog na Aninha (http://portrasdaana.blogspot.com/) que pensei pudesse ser útil para outras pessoas. Então, resolvi postá-lo aqui, mudando apenas algumas coisas e acrescentando outras.
Primeiro é preciso perceber como tudo começou.
Tenho e sempre tive uma relação conturbada com o meu pai, não tive uma infância feliz e sempre me senti rejeitada e abaixo de tudo e de todos. Cresci numa pequena vila de empresários ricos, onde todas as famílias pareciam perfeitas e como no início da vida, os meus pais não tinham grandes posses financeiras, sentia-me sempre mal vestida, feia, não era convidada para as festinhas de aniversário das outras crianças e, quando era, sentia-me deslocada. Fui crescendo, a situação económica dos meus pais foi melhorando, mas como eu era muito alta e comecei a crescer bastante cedo, sentia-me ainda deslocada por ser maior que os outros. Com 12 anos comecei a minha primeira dieta, para ver se ficava mais parecida com as minhas colegas, que ainda não tinham começado a desenvolver! A minha auto-estima era baixíssima! Com o passar dos anos, fui-me apercebendo de que nenhuma família era perfeita, de que todas as pessoas têm problemas e, como entretanto as minhas colegas também já tinham entrado na puberdade, as diferenças entre nós já não eram tão evidentes. Embora eu fosse sempre a mais alta da turma.
O secundário (10º -12º) foram dos melhores anos da minha vida! Eram paletes e paletes de admiradores !! Hihihihi é verdade! Namorados, tive 3! Mas nada muito sério. Continuava a achar-me gorda e a querer emagrecer, mas o mais importante para mim era tirar boas notas e entrar na universidade. Consegui e, no primeiro ano, conheci aquele que viria a ser o meu maridinho! Apaixonei-me imediatamente. Ganhei um companheiro, um amante, um amigo, um confidente, um apoio precioso, sem o qual eu não imagino a minha vida! Acabei o curso e … desemprego! Trabalho/desemprego/trabalho/desemprego! Isto, todos os anos! A minha auto-estima (desde sempre carente por falta de uma vida familiar estável) ia-se abaixo, sempre que ficava desempregada e o mesmo acontecia com a minha linha! Até que, tal como disse no meu primeiro post, percebi que sofria de um distúrbio alimentar.
Tudo isto para perceberem a importância que a personalidade e o nosso percurso de vida desempenham nesta nossa batalha diária contra a balança!
Houve alturas em que me achava uma fraca, gorda, etc. Hoje, sou incapaz de me chamar esses nomes (pronto, pronto, eu admito, às vezes ainda me chamo baleia – mas as baleias até são animais muito fofinhos e queridos!).
Ninguém merece ser criticado e insultado por si próprio. O mundo já é tão cruel, já levamos cada chapada da vida e ainda nos vamos martirizar a nós mesmos?! Uma colega minha disse-me há cerca de dois anos atrás uma coisa que nunca mais me esqueci: Eu sou a minha melhor amiga! Na altura pensei que era um pouco narcisista, mas hoje entendo o que ela quis dizer. Eu não podia ser a minha pior inimiga, não podia ser assim! Tinha de fazeres as pazes comigo mesma! Tinha de recuperar essa aliança entre as várias facetas da minha personalidade e acarinhá-las como se fossem minhas amigas. Às vezes não estamos de acordo com a forma como agem os nossos amigos, mas respeitámo-los e continuamos a conviver saudavelmente com eles. Eu entendo que é assim que temos de viver connosco mesmas. A vida já é tão difícil e a nossa personalidade tão frágil (especialmente a de quem é carente como eu) que temos de a proteger como um bebé. Temos de acarinhá-la, dar-lhe forças porque isso vai-nos fazer mais fortes. Um dia, quando estava com uma péssima auto-estima, uma amiga (eu tenho amigas muito inteligentes ;-) )disse-me para eu fazer uma lista de todas as minhas qualidades e enumerou rapidamente uma série delas. Eu fiquei abismada que alguém pensasse isso de mim: disse que eu era amiga, que tinha um bom coração, que era alegre, inteligente, lutadora, simpática, divertida, bonita, etc, etc. Claro que, lamechas como sou, comecei logo a chorar. É bom saber que mesmo não nos apercebendo, há pessoas que notam em nós grandes qualidades. Então, se outras pessoas as conseguem ver, por que não nós? Por que razão só conseguimos ver os defeitos? Foi aí que percebi que tinha de melhorar a minha auto-estima. Eu não sou só um corpo que tenta emagrecer, sou muito mais que isso!
Devido à minha situação de desemprego, é normal passar os dias deprimida, mas decidi que isso tinha de parar e comecei a procurar motivos de felicidade em pequenas coisas. É o que eu faço para me ajudar a suportar as dificuldades da vida, que, acreditem, têm sido muitas! Por exemplo, sexta-feira passada foi um bom dia porque fui ao ginásio, porque fui lanchar com uma amiga minha e fui ao cinema! Como eu costumo dizer, foi um dia que Valeu a pena viver. Sábado, passei tempo com a minha afilhada de 7 anos que eu adoro e com a minha sister de 19 anos que é a pessoa que mais amo no mundo e, à noite, fui a uma festa espectacular, rodeada pelos meus amigos, onde me diverti muito! Outro dia que valeu a pena viver! Claro que há dias casa/trabalho, trabalho/casa, ou neste momento, casa/casa! São dias cinzentos, mas mesmo assim, podemos dar-lhes um pouco de cor-de-rosa (la vie en rose, como cantava Edith Piaf). Por exemplo, para mim, o dia já valeu a pena se o meu maridinho que amo loucamente me deu mimos, me fez festinhas na cara e disse que me amava (o que ele faz todos os dias, hihihihi, mas de que eu nunca me canso hihihihi), se passei algum tempo com a minha mãe, embora às vezes ela me faça perder a paciência, eu adoro-a! Também vale a pena viver se naquele dia vi um filme fixe na tv ou no cinema, se li aquele livro que me faz vibrar e sentir coisas que não vivi (Estou agora a ler dois: Anjos e Demónios de Dan Brown - demasiado Brownesco, preferi o Código da Vinci - e Amor em tempos de Cólera de Gabriel Garcia Marquez – lindo!), se li os vossos blogs, se escrevi no meu, se me sentei numa esplanada a beber uma meia de leite (adoro!) e a ver o pôr-do-sol no mar (tenho a sorte de viver a 10m de carro da praia), etc. Ou seja, pequenas coisas que posso viver todos os dias e que me fazem sentir bem e feliz!
Lembrem-se todos os dias têm de valer a pena! Independentemente do nosso peso!
Carpe diem!

7 Comments:

At terça-feira, janeiro 03, 2006, Anonymous cyberprincess said...

olah:)
tive a ler o teu post, o qual gostei muito! tens toda a razão, são as pequenas coisas da vida, que fazem a vida valer a pena!
hoje já aprendi muito contigo!!!
obrigada:)
*bjos*

 
At terça-feira, janeiro 03, 2006, Anonymous nany said...

Adorei teu comentário e também a tua sinceridade. Sobre a barbie, é gozado mesmo! E sobre a tua história (q li por cima , depois volto aqui e leio tudo!) pode notar que sempre q algum lado pende em nossas vidas queremos nos comparar c/ os outros e queremos ser perfeitas? Por isso a barbie, não é ela, e sim eu que não estava bem comigo :( uaiuaiuai... mas claro, todos os dias tem q valer a pena!!!!!!!!!!!!!! Beijos

 
At terça-feira, janeiro 03, 2006, Anonymous pirulita said...

WOW LINDO! Adorei este teu post! Sincero, contundente, certeiro, motivador e a apontar para o futuro presente e para uma vida mais feliz... ou como tu dizes... cor de rosa :)

Adorei, minha querida! Por tudo!

Agora só o tens de colocar em prática!

BEIJO e muita força! *

 
At terça-feira, janeiro 03, 2006, Anonymous Anónimo said...

Este post é de uma lucidez brilhante. Pelo conteúdo, sincero, directo, inteligente; pela forma, agradável, cativante.
E muito útil, pedagógico, sobretudo tendo em conta onde o postaste inicialmente.
Que este novo ano e toda a tua vida sejam tão brilhantes como este naco de prosa.

António S. Campos

PS: Por engano este reply foi parar ao post abaixo. Agora, reponho-o no local certo.

 
At terça-feira, janeiro 03, 2006, Blogger Aninha said...

Acho q nao preciso de dizer que o teu post me tocou muito. O pior é que eu tenho noção de tudo aquilo que me disseste; tenho noção do que preciso de fazer, mas toda a frustração vem do facto de não conseguir.
Ontem imprimi o meu blog todo, encadernei e li-o antes de me deitar. Odiei-me (lá estou eu outra vez...) por ser tão depressiva, obssessiva, enfim, um horror. Mas estou sempre a tempo de mudar. Não há milagres, mas as mudanças terão de surgir aos poucos no dia-a-dia.
Ha cerca de 15 dias fiz uma lista das coisas que gostava em mim. Não sei de cor, mas lembro-me de escrever "sou lutadora", "consigo sempre o que quero", "sou uma boa amiga", "sei apreciar as pequenas coisas da vida",...mas parece que os defeitos são sempre mais.
Quero mto fazer as pazes comigo, sorrir a cada novo dia. Só um tormento não me deixa, venho trabalhar sempre com a sensação que não consigo dar conta do recado, que me vão achar incompetente, que me vão repreender; esta noite sonhei que era despedida. Queria tanto ser diferente!
Quem sabe um dia...
obrigada por tudo, continua a visitar-me...
Beijos grandes
Ana

 
At sexta-feira, março 16, 2007, Anonymous Anónimo said...

Enjoyed a lot! »

 
At domingo, janeiro 24, 2010, Anonymous Anónimo said...

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